Por: Roberto - 20/08/2026
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A Polícia Civil do Piauí cumpriu, na manhã desta quinta-feira (20), um mandado contra uma mulher, identificada pelas iniciais D.S., na cidade de Belém, no Pará. A ex-funcionária de uma clínica odontológica de Campo Maior é suspeita de esquema de estelionato e falsidade ideológica que teria causado um prejuízo estimado em R$ 160 mil.
Denise chegou a Campo Maior há cerca de 12 anos, vinda de Belém, e conseguiu emprego na clínica odontológica. Ao longo dos anos, teria conquistado a confiança dos proprietários e dos pacientes, o que, segundo a polícia, teria facilitado a prática dos golpes.
De acordo com o delegado Francisco Herdeson de Oliveira Bernardo, titular do 1º Distrito Policial de Campo Maior, a ex-funcionária teria utilizado a função que exercia para abordar pacientes e receber valores referentes a tratamentos odontológicos.
A suspeita teria adotado uma abordagem semelhante com diferentes pacientes. Ela oferecia descontos considerados elevados para quem realizasse o pagamento em dinheiro e, em algumas situações, alegava que a clínica estaria enfrentando problemas na conta bancária, o que justificaria a preferência pelo pagamento em espécie.
Segundo os relatos, Denise ficava com parte ou até mesmo com a totalidade dos valores recebidos, enquanto o pagamento não era registrado como quitado pela clínica. Para evitar que os pacientes percebessem a situação e procurassem o estabelecimento para reclamar de uma suposta pendência, ela utilizaria os pagamentos recebidos posteriormente de outros clientes para quitar os débitos anteriores.
As suspeitas começaram a ganhar força depois que uma paciente desconfiou da abordagem e procurou a clínica. A partir daí, a administração passou a verificar movimentações financeiras e identificou valores que, segundo as investigações, não coincidiam com os registros da clínica.
Ao ser questionada pelos proprietários, Denise teria afirmado que resolveria a situação quando chegasse à clínica. No entanto, no momento em que seria realizada a reunião, ela não compareceu e deixou Campo Maior. Ainda segundo as informações levantadas durante a investigação, a ex-funcionária teria admitido os crimes e informado que estava arrependida, mas que seguiria para Belém, no Pará, sua cidade natal.

Foto: Divulgação/Polícia Civil
As investigações apontam que Denise teria utilizado um sistema de pagamentos cruzados, usando valores recebidos de um paciente para quitar débitos ou pagamentos de outros. A prática teria criado uma dinâmica semelhante a uma “pirâmide” e dificultado a identificação das irregularidades.
Segundo a Polícia Civil, a apuração durou cerca de três meses, com análise de registros da clínica, comprovantes de transferências bancárias e outras informações financeiras.
Até o momento, 34 pacientes são apontados como vítimas, enquanto 20 boletins de ocorrência foram registrados por suspeitas de estelionato e falsidade ideológica. Entre os prejudicados estão idosos que relataram ter sido pressionados a realizar pagamentos em dinheiro ou transferências.
A polícia também investiga se a relação de confiança construída pela ex-funcionária ao longo dos anos e aspectos relacionados à sua religião teriam sido usados para diminuir a desconfiança das vítimas.

Imagemn: Reprodução/Campo Maior em Foco
Depois que o caso veio à tona, Denise deixou Campo Maior e seguido para Belém, no Pará. A Polícia Civil do Piauí deu continuidade às investigações até localizar a investigada na capital paraense e cumprir a medida judicial. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a extensão dos crimes, identificar todas as vítimas e dimensionar o prejuízo causado à clínica e aos pacientes.
(Com informações do Campo Maior em Foco)