Por: Roberto - 17/09/2026
65
O estado do Piauí registrou um agravamento expressivo nas condições de seca durante o mês de agosto. O cenário foi detalhado pela meteorologista e climatologista da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Sônia Feitosa, ao explicar os resultados do mapa mensal de monitoramento climático elaborado em conjunto com a Agência Nacional de Águas (ANA) e outros estados.
De acordo com a especialista, o mapa — construído a partir de dados observados pela Semarh e pela Sala de Monitoramento de Tempo — reflete a piora generalizada dos indicadores de seca em relação a julho.
"O mapa de agosto é um retrato das condições observadas naquele mês e leva em consideração não apenas a evolução dos indicadores, mas também o comportamento do clima", pontua Sônia Feitosa.
Do fraco ao grave: o avanço da estiagem
Em julho, o Piauí apresentava apenas duas categorias de seca (fraca e moderada), com o extremo norte do estado totalmente livre do fenômeno. No entanto, o retrato de agosto mudou drasticamente.
Como agosto é tipicamente um período sem chuvas no estado, marcando o início mais intenso da estação seca, o cenário foi potencializado por fatores meteorológicos severos. Sônia Feitosa destaca que o mês foi marcado por altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e ventos mais frequentes.
Essa combinação de elementos intensificou os índices de evaporação e evapotranspiração, gerando déficits ambientais severos:
Recursos hídricos: Houve redução nos reservatórios e nas reservas hídricas do estado.
Vegetação e fauna: O ressecamento prejudicou a saúde da vegetação, impactando a fauna e gerando necessidades para o consumo humano e animal.
Todo o estado afetado e novos 22 municípios em alerta máximo
Com a piora dos indicadores, todo o território piauiense passou a registrar algum tipo de seca:
Norte e Centro-Norte: Apresentam seca fraca, atingindo inclusive regiões que estavam livres do problema em julho.
Centro-Sul: Concentra a categoria de seca moderada.
Extremo Sudeste: Surgiu uma nova categoria, a seca grave, abrangendo 22 municípios localizados na faixa de divisa com os estados de Pernambuco e da Bahia — muitos deles afetados em quase a sua totalidade.
A climatologista da Semarh alerta que esse nível de seca grave é altamente prejudicial, pois, além dos impactos ecológicos e hídricos, aumenta significativamente a incidência de incêndios florestais na região.