Por: Roberto - 20/10/2026
19
As exportações do Piauí para os Estados Unidos registraram uma queda de 45,6% após a imposição de tarifas comerciais pelo governo do presidente Donald Trump. O impacto financeiro chegou a R$ 110,2 milhões em um período de 12 meses, tendo o mel como principal produto afetado. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) nesta segunda-feira (19).
De acordo com o estudo, entre agosto de 2024 e julho de 2025, antes da entrada em vigor do tarifaço, o Piauí exportou US$ 38,8 milhões em produtos para o mercado norte-americano. Nos 12 meses seguintes, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o valor caiu para US$ 21,1 milhões, uma redução de US$ 17,7 milhões.
O levantamento aponta que o mel foi o principal produto afetado no estado. A redução nas vendas para os Estados Unidos representa uma perda de mercado para a produção piauiense, especialmente em uma atividade ligada à economia de municípios do interior. O estudo, entretanto, não detalha quanto da retração financeira corresponde exclusivamente às exportações de mel.
Dos 224 municípios piauienses, apenas 13 registraram exportações para os Estados Unidos no período analisado, o equivalente a aproximadamente 6% das cidades do estado. Desse total, 62% apresentaram redução no valor exportado, enquanto 38% conseguiram ampliar as vendas para o mercado norte-americano.
Os números indicam que aproximadamente oito dos 13 municípios exportadores do Piauí tiveram queda nas receitas com as vendas aos Estados Unidos. O levantamento não identifica, no recorte estadual apresentado, quais cidades sofreram as maiores perdas.
Foto: Reprodução/Flickr/White House

Em todo o Brasil, o tarifaço afetou negativamente 1.135 municípios, que acumularam perdas de R$ 66,8 bilhões nas exportações para os Estados Unidos. Desse total, 271 cidades deixaram de vender produtos ao mercado norte-americano. Antes das medidas comerciais, esses municípios movimentavam R$ 588 milhões em exportações.
Outros 864 municípios brasileiros registraram queda média de 30% no valor exportado. Segundo a CNM, 657 cidades, o equivalente a 58% das localidades afetadas, também tiveram redução nas exportações totais, indicando que não conseguiram compensar as perdas no mercado americano com vendas para outros países.
No cenário nacional, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões, uma retração de 16,2%. Em reais, considerando as variações cambiais do período, a redução chegou a R$ 55 bilhões.
A participação dos Estados Unidos no total das exportações brasileiras também diminuiu, passando de 12,3% para 9,4%. O volume de produtos enviados ao mercado norte-americano recuou 17,9%, com uma redução de aproximadamente 7,3 milhões de toneladas.
Entre os setores mais afetados no país estão petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e produtos da silvicultura. O estudo também aponta que os municípios de pequeno porte sofreram a maior retração proporcional nas exportações, com queda de 22,9%.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os resultados demonstram a necessidade de ampliar os mercados compradores dos produtos brasileiros e reduzir a dependência comercial de determinados países.
“O protecionismo, as barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas globais tendem a gerar efeitos duradouros. Para proteger a arrecadação e garantir a manutenção dos empregos locais, é necessário reduzir a dependência de um único comprador, fortalecendo a diversificação produtiva e comercial no mercado interno e com novos parceiros internacionais. Esse caminho é fundamental para as economias municipais, que já enfrentam tantas dificuldades, construam a resiliência necessária no enfrentamento às incertezas do comércio global”, avaliou Paulo Ziulkoski.
O levantamento utilizou informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A análise considera os 12 meses anteriores e posteriores ao início das sobretaxas americanas, em agosto de 2025.
CidadeVerde.com