Por: - 21/08/2013
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Na quarta-feira de 1º de fevereiro de 2012, uma equipe com 47 pessoas entre designers, arquitetos e estudantes desembarcam no Piauí e se deslocaram até o povoado Várzea Queimada, a 27 Km do centro de Jaicós, que por sua vez, fica 380 Km a sudeste de Teresina, capital do Piauí, no coração do semiárido nordestino.
A equipe do 180 Graus percorreu 5 horas de Teresina até o povoado de uma região que possui um dos menores índices do IDH do Brasil, onde vivem 900 pessoas que sobrevivem do que cultivam, sem saneamento básico e com acesso escasso a um bem de muito valor, a água mas que porém, possuem uma grande riqueza: arte que surge do trabalho e da criatividade do povo piauiense.
Liderando a equipe que chegou ao Piauí, o renomado arquiteto Marcelo Rosenbaum, iniciou naquela época o projeto “A gente transforma Várzea queimada”. Um ano e meio depois, o 180graus visitou a localidade e constatou os frutos do projeto realizado em parceria com o Sebrae e que só ressalta a cultura piauiense. O projeto de inclusão social tem como principal objetivo, inserir o artesanato no mercado de decoração, um segmento que movimenta no Brasil, anualmente, R$ 60 bilhões.
Nascida no próprio povoado, e com 10 irmãos, a presidente da associação criada com o projeto, Marcilena Luzia, de 37 anos, fala sobre o trabalho. “O grupo é composto por 40 pessoas aqui do povoado, sendo 34 mulheres e 6 homens. A mulheres produzem produtos artesanais a partir da palha, enquanto os homens trabalham com a borracha, produzindo tapetes, joias, rosários, sadálias”, comenta Luzia ao 180graus.
Marcilena Luzia mostra produtos produzidos no povoado do interior do Piauí à gerente Andreia Sousa
Após um ano e meio, o artesanato do povoado avançou fronteiras. De acordo com Marcilene Luzia, a arte confeccionado pelos piauienses fizeram parte de exposições em Milão (Itália), a maior feira de design do mundo, assim como em Madri, na Espanha, além de serem vendidos em Paris, na França. Em nível nacional, os produtos já fizeram sucesso em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), sendo vendidos ainda em Brasília (DF), Goiânia (GO) e Belém (PA).
180graus foi até o povoado piauiense que conquistou o mundo com o artesanato

Localidade fica a 7 Km da BR-407 e a 27 Km do centro de Jaicós
VISITA DO FAMOSO ARQUITETO Marcelo Rosenbaum, aliás que, durante 2 semanas, expandiu o projeto que surgiu em 2011, a partir da tradição centenária da região, coordenou os grupos de trabalho em Várzea Queimada composto, no início, por 23 mulheres. A líder da associação, relembra o que Marcelo fez naquele período. “Em 2012, ele com a equipe escolheram o local, que hoje é a nossa tão sonhada sede, fizeram o projeto e construíram”.
Perguntada sobre a sensação de ter o trabalho reconhecido e uma sede própria, Luzia se emociona. “A sensação é de felicidade, conquista, um sonho que começou a ganhar forma, quando o Sebrae trouxe o projeto pra cá, ninguém nem imaginava isso, até que o Marcelo implementou”, completa a presidenta da associação.
Sobre as novidades, ela revela ao 180graus que há projetos de luminárias confeccionadas a partir da palha pelas mulheres, além de anéis de borracha, produzidos pelos homens, além de cadeiras e bancos com almofadas. ”O arquiteto Marcelo Rosenbaum ainda que levar os artigos para Amsterdã, na Holanda, nesse ano de 2013″, relembra Luzia.
Marcelo Rosenbaum durante visita ao Piauí me 2012
Sede da associação projetada e construída pelo arquiteto no interior de Jaicós

O PROJETO Durante a vista, Marcelo Rosenbaum montou 2 grupos, um de artesãs da palha de carnaúba, árvore típica da região, com a colaboração dos designers portugueses Rita João e Pedro Ferreira do Studio Pedrita. E o outro de artesãos da borracha, que contou com a colaboração da designer de joias piauiense Kalina Rameiro. Os grupos criaram, ao todo, uma coleção com 30 peças. Os dois modelos continuam sendo utilizados.
Outra frente de trabalho foi coordenada pelos arquitetos Henrique Pinheiro e Tomaz Lotufo e contou com a participação de 18 estudantes de todo Brasil. O resultado foi a construção da sede.
O objetivo do projeto é desenvolver a localidade Varzea queimada, a partir da forma como se relaciona com a comunidade e com o mundo, numa veradeira conexão do local com o global, por meio da história do Piauí impressa em produtos de design de raiz feitos pela comunidade, ao mesmo tempo que leva geração de renda e empoderamento a partir da vocação genuína dessa comunidade que é o artesanato, conforme palavras do próprio Marcelo Rosenbaum, endossadas pela líder da associação.























POR: Alex Gomes / 180 Graus