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Audiência pública discute medidas emergenciais contra a seca
Na mesa, Lilian Martins, João de Deus e Francisco Guedes, diretor do Emater
Por: Roberto Carvalho - 10/03/2010
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Em 2009 foi o excesso de chuva que destruiu plantações, esse ano, os pequenos trabalhadores rurais enfrentam dificuldades com a seca. Seja debaixo de chuva ou de muito sol, as mesmas famílias sofrem freqüentemente com a perda de suas produções agrícolas.
“O milho e o feijão que já plantamos se perdeu. Esse último, se não chover, também vamos perder e umas 140 famílias vão ficar prejudicadas, principalmente as que plantaram em terreno mais alto”, conta o pequeno agricultor, Edivaldo da Silva, representante da Associação de Moradores do Morada Nova, município de Nazária.
Edivaldo conta que o governo do estado já ajudou muito, construiu casas, levou energia, estrutura e ofereceu pequenos empréstimos através do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Mas, até agora, diz que nunca receberam nenhum auxílio com relação a perda de suas plantações. “Quando o plantio não dá, muita gente vai trabalhar cortando lenha para uma empresa de cerâmica”, essa é uma alternativa que eles encontram para completar a renda no final do mês.
Edivaldo, assim como outros pequenos agricultores e representantes do poder público, foi na tarde de hoje, 10, à Assembléia Legislativa participar de uma audiência pública para discutir sobre os problemas com a seca e buscar medidas imediatas de comprometimento com a produção agrícola e a falta d’água.
A sessão aconteceu na sala do Cine-teatro e foi presidida pela deputada estadual, Lilian Martins (PSB). De acordo com o deputado estadual do PT, João de Deus, ele convocou essa audiência por iniciativa própria. “As pessoas estão cobrando do poder público uma reação. O problema da alimentação vai começar a se agravar. Na medida em que o agricultor plantou, fez o investimento e não produziu, ele vai passar fome”, justifica.
A distribuição de sextas básicas, o abastecimento com carros pipa e o incentivo a instalação de sistemas de irrigação, estão entre as soluções emergenciais apontadas para amenizar, minimamente, as dificuldades enfrentadas por essas famílias. Desde o governo Freitas Neto existe uma lei de irrigação que permite 70 % de desconto na energia para o agricultor de baixa renda.
O deputado João de Deus reconhece que a lei está sendo subaproveitada por ser pouco divulgada. “Acho que há muita falta de informação. Para conseguir o incentivo o agricultor deve enviar um requerimento para o Emater, este encaminha para a CEPISA e ela avalia o valor do batimento”, explica.
Apesar dessa burocracia, o deputado acredita que a demora maior acontece para conseguir o kit irrigação. “Além da falta de divulgação, o próprio governo federal e estadual devem disponibilizar mais linha de crédito para que o agricultor familiar possa instalar pequenos sistemas de irrigação, complenta.
Esse encontro também tem como objetivo colher informações junto aos mais diversos segmentos ligados à agricultura e levar propostas aos governos federal e estadual. Além disso, pretende debater medidas duradouras como forma de garantir uma melhor convivência do homem do campo com a estiagem.