Por: Roberto - 07/10/2014
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O resultado do pleito de 2014 no Piauí provocou a renovação em 40% das 30 cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado, com a eleição de novos nomes para o legislativo estadual. Mas segundo o professor da UFPI- Universidade Federal do Piauí, cientista político Ricardo Arraes, essa renovação seria apenas “aparente” já que na prática os novatos representam as velhas oligarquias que há anos dominam a política do Estado.
Para Ricardo Arraes, o legislativo estadual vive uma espécie de “baby boom das oligarquias”. Os políticos tradicionais do Piauí que não concorreram à reeleição deixaram como herança política a eleição dos filhos como deputados. “Fala-se em renovação, mas entraram candidatos como o Georgiano (PSD), filho do deputado Júlio César (PSD), Pablo Santos, filho do deputado Warton Santos, e Severo Eulálio, filho do Kleber Eulálio. Essa renovação foi apenas aparente. Vivemos uma espécie de baby boom porque saíram os pais e entraram esses filhos que nasceram nas oligarquias”, disse.
Ricardo Arraes afirma que, dos atuais deputados eleitos, 23 possuem vínculos familiar com ex ou atuais deputados. “Os eleitos são os filhos dos políticos, sobrinhos, esposas e agora até o esposo de uma ex-deputada conseguiu se eleger. No legislativo do Piauí nós temos 16 filhos de ex-parlamentares, três irmãos e cinco conjugues de ex-deputados. Esses números não representam mudança”, disse.
De acordo com o cientista político as oligarquias se fecham e não permitem que o cidadão sem ligação política possa entrar na campanha. “A renovação foi intraelite. Saíram os velhos líderes, mas entraram os novos que fazem parte da mesma elite. A entrada de pessoas de fora como o caso do deputado Evaldo Gomes (PTC) ocorreu devido o sistema proporcional”, explicou.
Com relação à derrota do ex-governador Wilson Martins (PSB) para o ex-prefeito Elmano Ferrer (PTB) na disputa pelo Senado, Ricardo avalia que se encerra a máxima que afirma que o Senado Federal seria o caminho natural dos ex-governadores. “Com a não eleição do Wilson quebra-se essa máxima de caminho natural. Tem que combinar com o eleitor. Todos os ex-governadores fizeram esse caminho”, declarou.
No caso da vitória do senador Wellington Dias (PT) ao Governo do Estado, Ricardo Arraes afirma que o petista se consolidou como o maior líder político do Piauí. “Antes este era um papel dos políticos ligados ao PMDB e do PFL. Wellington não tinha tradição política e começou a assumir este posto”, declarou.
Por: Lídia Brito - Jornal O Dia