Por: Roberto Carvalho - 28/03/2010
319
"Estou tomando o xarope há apenas um mês e confesso que estou muito bem; para minha surpresa e dos médicos que me acompanham. A minha evolução é surpreendente. Só para exemplificar, eu não mais conseguia dormir. Ficava a noite inteira com dores, revirando-me na cama e com total indisposição durante o dia inteiro", diz Raimundo, acrescentando que sua vida tomou outro rumo, dando-lhe esperanças e confiança num futuro que pensara perdido.
"Estou com 58 anos, me alimento bem e a cada dia me sinto melhor, bem disposto. Este é realmente um santo remédio", assinala. Atualmente, Raimundo toma três porções ao dia, mas a quantidade varia de caso a caso.
Entretanto, pesquisadores da planta alertam para o bom senso, deixando claro que não se pode correr atrás do xarope como uma panaceia, ou mesmo como a chave para a cura do câncer, já que as pesquisas ainda estão em andamento. Se os pesquisadores pensam assim, quem está utilizando o xarope não tem opinião tão diferente:
"Há dois anos os médicos diagnosticaram um câncer de próstata em mim. Comecei um tratamento e estava melhorando, mas muito devagar. Foi então que tomei conhecimento da mistura feita com o leite do avelós. Um sobrinho me falou sobre o remédio porque a irmã dele, que estava também com câncer, vem melhorando muito com o uso desse medicamento", ressalta Leôncio Batista de Andrade, 77 anos, vaqueiro aposentado.
Demonstrando muita vivacidade, Leôncio lembra que tomou a medicação durante oito meses. "Quando voltei ao médico, ele disse que do câncer de próstata eu não morreria, que estava curado", diz, sob a observação da esposa, Maria Saraiva. Para ter maior certeza, ele fez um novo exame no último dia 24: "Nunca mais senti nada; vivia um verdadeiro tormento", observa. Sem revelar o nome do médico, ele ressalta que começou a tomar avelós com o consentimento dele.
"Ele achou que não tinha problema, desde que não tomasse as duas medicações "misturadas", ao mesmo tempo", conta. E é justamente esse resultado positivo que tem levado vizinhos de Leôncio a plantar o avelós em jarros, em jardins.
Medicina recomenda cautela e atenção
O médico oncologista – profissional especializado no tratamento do câncer – André Luiz Sobral disse que, comprovadamente pela ciência, ainda não há dados, nem tampouco segurança no tocante a curas da doença pelo avelós. O que existem, de acordo com ele, são relatos de pacientes que dizem ter melhorado com o uso do xarope. “O avelós tem sido estudado, podendo até vir a ser um ótimo remédio para esse mal, mas até agora nada foi confirmado; o que há são pesquisas não concluídas”, argumenta.
“É preciso esperar os resultados de uma pesquisa científica, e não se deixar levar por comentários, por relatos. Acho que a afirmação dando conta de que esse xarope é benéfico, chegando até mesmo a curar pacientes com câncer, é muito precoce. Eu, particularmente, não recomendo o avelós, simplesmente pelo fato de ainda não se ter uma confirmação científica de seus benefícios”, ressalta o médico. Ele argumenta ainda que no passado muitas outras plantas foram consideradas "milagrosas", e tudo não passou de um blefe; de propaganda que iludiu muita gente.
Entretanto, André Sobral alerta que se o paciente quiser tomar o remédio em questão deve comunicar ao médico que o assiste. “É preciso que o médico esteja ciente de tudo isso, até porque ainda não se sabe sobre os efeitos colaterais que essa medicação pode acarretar”, lembra. André pede a todos que tenham cautela, que aguardem os resultados das pesquisas e não se deixem levar por conversas, “até mesmo porque não se sabe que tipo de câncer poderá vir a ser curado pela utilização do avelós, a dose ideal. Não sabe também se esse xarope afeta o uso de outros medicamentos”.
Já o agrônomo Francisco Leal, do Núcleo de Plantas Aromáticas e Medicinais da Universidade Federal do Piauí, diz que o avelós vem sendo muito utilizado e procurado em Teresina, ao mesmo tempo em que alerta para que se tenha cuidado, “porque é preciso ter conhecimento, saber manipular direito o leite da planta citada”, explica, acrescentando que o Núcleo não receita, “apenas trabalha a melhor informação, bem como também faz a sua propagação”. Concluindo, ele deixa claro que faz apenas o manejo agronômico.