Por: Roberto - 10/02/2015
117
No ano de 2009 o Piauí chamou a atenção do mundo com a descoberta do que seria ‘A nova fronteira do minério’. Na época a notícia gerou reboliço e ganhou destaque em sites nacionais especializados em mineração. A informação foi inclusive confirmada com os números do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão ligado ao Ministério das Minas e Energia, quando Edison Lobão ainda era ministro, que mostram o estado como o segundo do Nordeste e entre os dez maiores do país com incidência de minérios.
Ferro, diamantes, fósforo, níquel, mármore, calcário, argila, opala e até ouro eram algumas das riquezas do estado. Na época 3,5 mil títulos concedidos para pesquisas dos mais diversos minerais e muitas reservas foram confirmadas e dimensionadas. Foi anunciado que a empresa de pesquisas de mineração GME4 começaria uma turnê para vender uma mina de minério de ferro no sul do Piauí. Avaliada em US$ 2,4 bilhões e com reserva estimada em 800 milhões de toneladas, a jazida será apresentada em Xangai, Londres e Nova York.
Só na região de Paulistana havia uma reserva de ferro estimada em 400 milhões de toneladas. Projetos de pesquisas e exploração em evolução acontecem desde aquela época, mas até agora nada. E é justamente de lá que sai o novo secretário de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis do Piauí. Luís Coelho da Luz Filho, ou simplesmente Luís Coelho, foi prefeito daquele município, onde nasceu, por três mandatos.

É casado com a deputada estadual Liziê Coelho (PTB), que foi indicada pelo governador Wellington Dias (PT) para assumir a Mineração, mas segundo ela, acabou desistindo, pois queria mesmo era ficar na Assembleia. O PTB decidiu então indicar Luís Coelho, que também havia sido secretário na última gestão, de Zé Filho, comandando a secretaria de Relações Institucionais. Ele é filiado ao PRP e foi um dos principais defensores da divisão do Piauí e consequentemente a criação do estado do Gurgueia.

MINERAÇÃO EM PAULISTANA O grupo MT4 Participações e Empreendimentos S/A chegou ao Piauí através da Brasil Exploração Mineral S.A (Bemisa), que vem fazendo estudos no Estado desde 2008. A expectativa era que na primeira fase de instalação fossem criados cerca de 4,8 mil empregos diretos e indiretos. Mas até o fim do prazo de três anos o objetivo era mais que dobrar as oportunidades de trabalho no Estado. Se realmente o plano tivesse dado certo, aumentaria o 10% o Produto Interno Bruto (PIB) do Piauí. Hoje a mineração só é responsável por 0,01% do PIB.
Segundo a Bemisa, havia grande concentração de ferro e sua a extração podia gerar 15 milhões de toneladas por ano. Cada tonelada custaria, na época, R$ 230, gerando, mais de R$ 3 bilhões ao ano. O imposto obrigatório de 2% sobre esse valor ficaria em R$ 69 milhões ao ano para ser dividido entre a União, o estado e o município. O município de Paulistana ficaria com mais de R$ 44 milhões, uma quantia significativa, capaz de mudar a cara da cidade e gerar investimentos nos setores básicos, promovendo melhorias consideráveis para os moradores da região.

LUÍS COELHO PERDE A PRIMEIRA Se a extração de minério tivesse dado certo e seguisse o cronograma, essa bolada só começaria a vir a partir de 2013, mas 2012 era o último ano do mandato de Luís Coelho, pois já era prefeito reeleito. Ele ainda lançou um candidato nas eleições 2012, Marozan (PDT), mas perdeu as eleições para Didiu (PROS). Em todo caso, nada deu certo ainda.
LUIS COELHO E A MINERAÇÃO O ex-prefeito afirma que há 10 anos é ‘envolvido’ com a mineração e que sua indicação é puramente técnica. Questionado como se deu esse seu ‘envolvimento,’ afirmou que quando era prefeito coincidiu com o início das pesquisas e participou de todo o processo.
Além da Bemisa, a GME4, GCTZ Geologia & Mineração, Galvani e GCZ Investmine Mineração pesquisaram minérios na cidade. Haveria pelo menos 741 milhões de toneladas de minério de ferro nos solos piauienses.
Foi nesse contexto que Luís Coelho começou a participar do processo. Segundo ele, não é preciso ter propriedade para participar da extração, basta requerer à União. O ex-prefeito requereu esse direito ‘algumas’ vezes, mas nas áreas não haviam minérios.
COLOCANDO O RATO PARA CUIDAR DO QUEIJO O sonho da extração de minérios na região de paulistana ainda parece estar longe, até porque depende diretamente da demorada conclusão da ferrovia Transnordestina, que segundo dizem, será concluída em 2016, afinal, o ferro extraído daquela região só pode ser transportado de trem. Para início da extração também é necessário um grande sistema de abastecimento de água, coisa que naturalmente já é difícil em todo estado. Sem falar nas estradas.
Há uma grande expectativa com Luis Coelho na Mineração. Afinal, atende dois desejos muito importantes: o da real extração de minérios, e o desejo que o futuro secretário tem de participar desta extração. É matar dois coelhos com uma cajadada só.
Repórter: Jhone Sousa
180GRAUS