Por: Roberto - 11/03/2015
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Tímido no início da conversa. Falastrão depois de ganhar confiança. Sem papas na língua. Aberto à quase todo tipo de pergunta. Direto. Paciente. Bom pai. Um relações públicas nato. E praticamente um paradoxo em pessoa. Essas são algumas das características e impressões sobre o empresário Carlos Alberto da Silva, mais conhecido por Carlão, 53 anos, casado, pai de cinco filhos (uma de 13 anos, outra de um ano e meio; três garotos de 10, 11 e 12 anos).
O Rei dos Cabarés, Rei da Noite, ou ainda, Rei da Diversão Noturna Adulta de Teresina, títulos que disse não se importar, fazem parte da conversa que Carlão teve com o O Olho em sua casa noturna, a Copacabana Shows, na zona Sudeste de Teresina (proximidades do conjunto Dirceu Arcoverde). “Sou apenas um empresário da noite”.

Mulheres corpudas: principal atração sob o comando de Carlos Silva. Foto: João Brito Jr / O Olho
De trato fácil, respondendo a praticamente todas as perguntas, Carlão só não falou quanto ganha, quanto cobram as garotas que atuam em seu estabelecimento, quanto recebe delas e como funciona o sistema de oferecimento em site de acompanhantes que tem o seu número telefônico como referência.
Carlos Silva também não fala muito sobre a clientela do estabelecimento. “Isso é questão de ética, questão de negócios. O que acontece aqui, fica aqui. Mas vocês têm todo o direito de conhecer a nossa casa”. Foi assim que abriu o Copacabana à reportagem do O Olho, revelando um dos lugares e tipo de estabelecimento que mais desperta a curiosidade de parte da sociedade piauiense: um prostítulo, cabaré, put...o (palavra impublicável), zona do baixo meretrício (ou qualquer outro nome que denote lugar em que pessoas buscam outras para sexo sem compromisso e, quase sempre, via pagamento, ou para verem shows de mulheres tirando a roupa).
A casa de diversão adulta comandada por Carlão existe há quatro anos. Atualmente disputa o mercado de cabarés com a famosíssima Beth Cuscuz (em decadência após operação da Polícia Civil que desmantelou alguns estabelecimentos do tipo, inclusive com prisão do próprio Carlão em 2012), com a também “novata”, e ascendente no ramo, Ellen Gaúcha e a conhecidíssima 69 Drinks (e sua sucursal popular 70 Drinks) e entre outros estabelecimentos mais populares que ainda sobrevivem ao tempo e ao sexo pago.

Casa de shows funciona quase todos os dias da semana. Foto: João Brito Jr / O Olho
Durante metade da semana o Copacabana Shows oferece espetáculos de strip tease. Mulheres, praticamente todas de outros estados, tiram a roupa para marmanjos, alguns casados, que mantém essa diversão (ou tara) no anonimato. Outros procuram uma diversão diferente ou tentam matar a curiosidade de ver uma mulher de rosto bonito e corpo escultural despindo-se ao vivo.
Todos os clientes que a reportagem encontrou durante a visita ao Copacabana não quiseram falar o nome. Era como se fosse um tabu. Em um cabaré o anonimato é peça-chave.
“Tu é doido, se minha mulher sabe que estou aqui ela me mata”, falou um senhor de aproximadamente 50 anos, sotaque sulista, em uma mesa com direito a dois litros de uísque e uma loira com idade de ser quase neta. A garota, de corpo de parar quarteirão em termos físicos, parecia não estar muito contente com o senhor que tinha quase dez vezes uma barriga mais saliente que a sua.
“Aqui a gente se diverte, aqui a gente ama, aqui a gente curte”, falou outro senhor, também aparentando estar na casa dos 50 anos, acompanhado uma ninfeta (atributos físicos quase que cuidadosamente trabalhados para serem explorados pelo olhar da clientela), cabelos pretos e piercing no umbigo, com micro-short jeans e mini-calcinha preta à mostra sob o cóccix. O senhor estava com ar de semi-embriaguês. Ela dava alguns beijos no homem com idade de ser seu pai. Faltava entusiasmo. Os beijos pareciam ser mais falsos que uma nota de R$ 3,00.
Carlão só observava a movimentação. “Fiquem à vontade, podem fotografar e filmar”, mostrando o lugar como um verdadeiro relações públicas.
Constantemente o empresário é visto em sinais e lugares movimentados de Teresina distribuindo panfletos de shows de atrações nacionais. Faz questão de cuidar de cada detalhe das sedutoras apresentações e mostrando que o lugar é um dos que têm as mulheres mais corpudas da cidade.
EM TEMPOS DE “CINQUENTA TONS DE CINZA” POLE DANCE NO CENTRO DAS ATRAÇÕES
O Copacabana shows tem esse nome justamente em homenagem à célebre praia da cidade do Rio de Janeiro. “Adoro viajar e adoro aquela praia, por isso não pensei duas vezes em botar o nome”.

Publicidade das mulheres que já fizeram shows na casa. Foto: João Brito Jr/ O Olho
O lugar comporta aproximadamente cem pessoas, distribuídas em mesas de seis ou quatro lugares (todas de madeira, com toalhas verdes), com cadeiras também de madeira. Tudo muito simples, sem lembrar tanto as casas do tipo em filmes, seriados e novelas.
No meio do salão há um pequeno palco redondo (menos de 50 centímetros de altura) e com pouco mais de cinco metros de largura entre as extremidades. Um mastro vermelho destaca-se no meio desse lugar de apresentações. É o mastro do pole dance, geralmente o espaço mais usado pelas stripers (garotas que tiram a roupa). Lembra muito o que é descrito em livros a la Cinquenta Tons de Cinza.
“Aqui vive lotado. Tem garota que vem passar dois dias fazendo show e termina passando uma semana”, relatou o Rei do Cabaré. “Vem garota famosa, capa de revista. Recentemente recebemos uma das participantes da Fazenda (reality show da TV Record), recebemos cantoras e dançarinas de funk, gente muito famosa”.
Toda a diversão, desde entradas, às bebidas, bem como o serviço das garotas pode ser pago em cartão de crédito (fato que facilita os clientes a gastarem mais compulsivamente). Somente a mesa defrontada pelos clientes que falaram com O Olho tinha mais de R$ 300 em bebidas alcóolicas entre uísques caros, energéticos e água de côco.
O Copacabana não funciona às segundas. Entre os dias de quarta a sexta os shows (strip teases) não são cobrados. Somente se o cliente quiser um show particular na Sala Vip (cubículo anexo ao salão principal) é que há pagamento extra. O lugar tem palco exclusivo (também com pole dance e dois sofás). Cabe confortavelmente três casais ou seis pessoas.
Inicialmente Carlão falou à reportagem nesse lugar. Depois que foi convidado a mostrar o restante do estabelecimento a sala vip foi ocupada por um cliente e uma das meninas, com direito a portas trancadas. Fisicamente era a mais bonita de todas. Uma morena de, aproximadamente 1,60m, nádegas avantajadas, com direito a olhares constantes de todos os presentes.
Nos outros dias de abertura da casa só há shows de strip tease se algum cliente pagar para alguma das “funcionárias”.
Cada show dura, em média, 15 minutos, tempo que a garota entra no mini-palco, faz performances e entre tirações de peças até ficar totalmente despida, com muita provocação para o público. “Às vezes temos até 15 shows por noite”, mostrando a abundância de apresentações no lugar e mostrando seu primeiro sorriso (fazendo parte de sua arcada dentada irregular – meio banguela – aparecer).
“LUGAR TURÍSTICO”
“Falta conhecimento à uma parte das pessoas o que é diversão. Esse tipo de lugar existe há