Por: Roberto - 18/03/2015
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Pacientes da rede estadual de saúde do Piauí estão passando por algumas dificuldades em seus tratamentos. Alguns doentes, em tratamento contra o câncer, estão sem medicamentos disponíveis, doses que chegam a custar R$ 12 mil. A Defensoria Pública do Estado tenta viabilizar um acordo com a Secretaria Estadual de Saúde para que esses pacientes, que precisam de medicamentos e cirurgias, possam ser atendidos. Dona Filangieri Portela Filho, 57 anos, por exemplo, faz tratamento contra um glioblastoma grau 4, um tumor cerebral que tem como característica se espalhar rapidamente pelo corpo. Ela está necessitando de uma dose por mês de um medicamento quimioterápico. "Ele já está há um ano e dois meses em tratamento. A cada etapa, a médica passa uma receita com três doses e é uma a cada mês. Nós chegamos a receber algumas doses, mas do final do ano para cá não estamos mais conseguindo. Nossa família teve que se unir, vendemos terrenos, já nos desfizemos de tudo que tínhamos para pagar o tratamento", explica Yara Gonçalves Portela, filha do paciente. O defensor público Nelson Nery Costa, que acompanha este e vários outros casos semelhantes, afirma que a família desse paciente gastou R$ 350.000 apenas com uma cirurgia, que precisou ser feita em São Paulo. "Os médicos afirmaram que ele está respondendo bem ao tratamento. Mas é preciso que o Estado assuma suas responsabilidades e forneça o medicamento para os pacientes que necessitam. Este não é o único caso. O Núcleo de Saúde da Defensoria Pública está recebendo vários pacientes na mesma situação, a espera de medicamentos e cirurgias", afirma o advogado. Também é o caso do aposentado José Maria Rodrigues de Sousa, que necessita de uma cirurgia nos olhos, procedimento relativamente simples, que minimizaria seus problemas de saúde. Esses dois pacientes e o advogado Nelson Nery Costa participaram de uma reunião com o secretário de Saúde do Estado, Francisco Costa, e tiveram a oportunidade de esclarecer seus problemas de saúde. Nelson Nery solicitou que o secretário analisasse a situação desses e dos demais pacientes que necessitam do atendimento do Sistema Único de Saúde e dos medicamentos fornecidos pelo governo para seguirem com seus tratamentos. "Estamos aqui para explicar ao secretário que o número de casos de pessoas que não vem conseguindo os medicamentos está aumentando e estamos propondo que o governo reveja isso. Essa é uma iniciativa para que os pacientes sejam contemplados o mais rápido possível, sem precisarmos pedir o bloqueio das contas da secretaria para que esses pleitos sejam atendidos", esclarece Nelson Nery. Atualmente a Secretaria de Saúde tem um débito de R$ 10 milhões junto a fornecedores de medicamentos. "Esse débito é do ano passado. A quantidade de demandas judiciais tem crescido. Estamos com essa dificuldade. Mas temos uma equipe que está pactuando junto aos fornecedores porque sabemos da urgência dos casos", garantiu Francisco Santos.
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