Por: Roberto Carvalho - 29/04/2010
227
Está cada dia mais vergonhosa a posição do PMDB. Vejamos: o deputado João Mádson e o ex-ministro João Henrique Sousa defendem a união com JVC, os deputados Themistocles Filho e Marcelo Castro divididos entre Wilson Martins e Sílvio Mendes. O pior de tudo é anunciar uma pesquisa interna que, segundo algumas de suas lideranças, vai ajudar decidir quem dos pré-candidatos ao governo o partido vai apoiar, o que não é verdade.
O PMDB há muito está sem projetos e carente de grandes lideranças. As de hoje são apenas medianas, sobrevivem alojadas em mandatos proporcionais e em cargos de comissão. Com certeza não herdaram a coragem e a ousadia de Alberto Silva, que fora eleito governador duas vezes, senador e deputado federal e, até mesmo o Mão Santa, que mesmo vindo do antigo PDS, chegou ao PMDB e elegeu-se governador duas vezes e ainda senador.
Quem não sabe que o PMDB está a quase duas décadas ininterruptas na administração estadual? Logo, não sabe mais ser oposição, incorporou no sangue a vocação em ser sempre governo, tal qual o antigo PFL que só deixou de ser apenas quando o PT assumiu em 2003 - aliás, o PT também já corre este mesmo risco - Portanto, não será surpresa, se o PMDB a médio prazo mudar a sigla tal qual fez o PFL que deu lugar ao DEM após enorme desgaste.
Porque os deputados Themistocles e Marcelo continuam "cheios de dúvidas" sobre qual rumo seguir na sucessão estadual? Com certeza pagariam caro por uma bola de cristal para poderem saber quem vai ganhar em 2010. O pior é que agora não têm mais o senador Mão Santa e Alberto Silva para culpá-los pela divisão, indecisão e fracasso.
O partido mais uma vez vacila e, diante deste dilema, suas lideranças terminarão preferindo o certo que é a opção pelas mesmas candidaturas proporcionais e, no dia 30 de junho, data final das convenções, vai decidir no escuro e mais ainda dividido com cada um vendo o seu umbigo. Desta vez serão obrigados a correrem riscos. Com certeza sobreviverão, contudo, mais debilitados.